Thursday, 10 March 2011

Pe de vento


Que por essa janela em viagem você possa ver além

Além do verde, o ouro por trás daquela igrejinha no horizonte

A luz clara além do reflexo de um rabisco no vidro pelo lado de fora

Decifrar além do borrão que passa rápido

Indecifrável imagem no capim à beira do asfalto

Focar além daquela árvore seca na colina estática, que despreza a física

Que em vida produziu vivo embora longe desapercebido teu fruto

Ver além do que nos guarda guiado ao som de chuva

No pé de vento sobre as folhas agora varridas a sua volta, em teu retorno

Vá além e toque em tudo, no que é real

Simples e puro

Tuesday, 8 March 2011

À sua maneira


Nós

Pra me centrar

Com ou sem dor

Pra me paltar

Em linhas tortas

Retas ou brancas

Pretas em volta

Sem cor…


Pra me tornar

Tolerante de mim

Acender-me em teu rubor

Discernir o louco e o Santo

Livrando-o assim do ordinário pranto

Em tuas maneiras de aliviar-me

A dor



Saturday, 5 March 2011

Janela de mim Guarani

Da janela do teu rosto

Pensamentos

Madrugada se pega

Se beija e se casa

Com o silêncio

Num véu de sereno

Que expulsa o perfume

De plantas e flores

Sobre um corpo

Moreno


Ladrilho de pedra

Na praça

Deixado para trás

Saudade no carnaval

Prometo

Nunca mais


Na crença divina

Percebi que em tal festa

Nem purpurina

E você colava

Tão sensível quanto minha boca

Que orava

A teu retorno esperado

De mim esquecido

Chamado um dia

De amado