Thursday, 15 April 2010

Crueza de mim


Cara de mais velha

Expressões de velha?

Não,

Já faz parte.

Já faço parte? Não sinto.

Performance na dança do tempo

Atributo consequente de sua experiência

Responsável à sua maneira

Tudo e todos à sua volta se encarregam

De se responsabilizar e que as coisas

Se cuidem naturalmente e entre sí

Pois preocupações dentro de mim

Jamais um dia habitara

Espirituosa levo o meu termo

Livre e poderosa

E alguns que me vêem

Pelo lado de fora

Jogam pedra

Mas nao me apavora

Decido atitudes

Destino à deriva

Sorriso amargo

Mas sempre acertiva

Piso e me corto

Nos cacos de mim

E grito calada

Afastando de vez

Aqueles que um dia

Alegria me deram

Nem bato na porta

Nem quero

Fingir nao faz parte da trama

O que eu queria era somente

A compahia e uma cama

As coisas por aqui

Andam sem nexo

Não aguento nem mais sexo

Preciso me recompôr

Meus olhos merejam furor

Agora finjo que não sinto dor

Os dias vão passando

E isso aqui se torna um horror

Deixe-me ir embora por favor

A pouco até perdi a cor

Posso ir ou terei

Que me transformar em vapor?


1 comment:

Adriana Rocha Geografia/História said...

Trata-se de um poeta enigmático, reflexivo, inquieto...lindo texto!
Já te disse: amei essa mulher!! Bjks da tua Dri