Saturday, 3 March 2012


Essa foto machuca de ver

por causa da direção que vai o barco

e na paisagem não cabe coisas ruins

elas não se encaixam nem depois do horizonte

dói por que no equílibrio de dentro desse padrão de beleza

se foram as coisas boas, e como no final da espuma

na lembrança também se desbotam

mas jamais se apagam.



Picture by: Ociene Bueno

Saturday, 25 June 2011

Sem nada


No quebrar da corda
Minhas maos sem as tuas
Na caida sem fim
Ainda caio
Sem se dar por mim

No vazio vento frio
Procuro tecer sem fio
Em decida em disparada
Por dentro
Parece que me esperam
Espadas

Oracao ja faz efeito
Injecao na infeccao
Amargo na boca e junto
O coracao
Perdao aceito e feito
E continua assim
Somente a dor
No peito





Thursday, 10 March 2011

Pe de vento


Que por essa janela em viagem você possa ver além

Além do verde, o ouro por trás daquela igrejinha no horizonte

A luz clara além do reflexo de um rabisco no vidro pelo lado de fora

Decifrar além do borrão que passa rápido

Indecifrável imagem no capim à beira do asfalto

Focar além daquela árvore seca na colina estática, que despreza a física

Que em vida produziu vivo embora longe desapercebido teu fruto

Ver além do que nos guarda guiado ao som de chuva

No pé de vento sobre as folhas agora varridas a sua volta, em teu retorno

Vá além e toque em tudo, no que é real

Simples e puro

Tuesday, 8 March 2011

À sua maneira


Nós

Pra me centrar

Com ou sem dor

Pra me paltar

Em linhas tortas

Retas ou brancas

Pretas em volta

Sem cor…


Pra me tornar

Tolerante de mim

Acender-me em teu rubor

Discernir o louco e o Santo

Livrando-o assim do ordinário pranto

Em tuas maneiras de aliviar-me

A dor



Saturday, 5 March 2011

Janela de mim Guarani

Da janela do teu rosto

Pensamentos

Madrugada se pega

Se beija e se casa

Com o silêncio

Num véu de sereno

Que expulsa o perfume

De plantas e flores

Sobre um corpo

Moreno


Ladrilho de pedra

Na praça

Deixado para trás

Saudade no carnaval

Prometo

Nunca mais


Na crença divina

Percebi que em tal festa

Nem purpurina

E você colava

Tão sensível quanto minha boca

Que orava

A teu retorno esperado

De mim esquecido

Chamado um dia

De amado

Monday, 28 February 2011

Frases na porcelana


As mil maneiras de dizer EU TE AMO transformam mais e mais frases

Que jamais tivera a intenção de ao menos significar e mostrar o que eu queria dizer

Que brota à cada uma delas uma folha nova, um ramo que não enxergara...

Ainda, mas que muta-se por segundo, a olho nύ

Na porcelana vemos trabalhos perfeitos de paciência

Que levaram meses a serem concluídos e que num segundo caído ao chão, se estilhaçam

Em partículas irreparáveis e a pintura então perdida

Nossa frágil porcelana está pronta, aliás, nos foi dada pronta como um presente

Só nos resta escolher as cores e a maneira com que devemos pinta-la

Sunday, 27 February 2011

Sal da terra


No impulso por tras, um susto
Esse mesmo vento nao me diz em palavras
Mas sopra o meu barco a seguir tua espuma
No canal que leva os teus segredos durante a noite
Nesse caminho vai caindo o que o seu corpo clama
Impaciente como as velas
Em meio o sargasso e o sal
Sigo assim o sopro
Que desvenda pouco a pouco
O que em silencio me diz gritante
Que quanto mais ouco de voce
Mais perto o meu coracao se achega da tua luz