Wednesday, 1 December 2010

Casa de espelhos


Que a tua beleza seja apenas o espelho
Do que o seu coracao guarda a sete chaves.

Monday, 29 November 2010

Mal de mim


O mundo eh o mundo em suas mutacoes
A Natureza age furiosamente
E nos efeitos de mim sobre mim mesmo
Caio em minha mais doce armadilha.

Com S no final...


Vi uma crianca hoje pela manha
Que me lembrou tanto voce...
Foi bom... Por que eu ja ia me esquecendo
O quao delicado era o teu rosto

Estranha sensacao de alivio
Lapis vermelho entre os dedos
Projetou-se em mim o mapa do vicio

Nem me viu sequer a esqueco
Corro a beira do meu precipicio
Escrevo estacoes a fio
Na aflicao fecho os olhos
fujo do escombro
Me calo e adormeco em seu ombro

Nem cafe, nem drama
Tripudio a dor
Viajo a Veneza
Mergulho em tua trama

Sorrio nervoso
Vento frio da tua falta
Sorriso que perdi num caminho
Sem sinais, descida de morro
Num canto do mundo
Sem mais...








Tuesday, 16 November 2010

Maria


Arvore virgem
Sol empurrado pra longe do meu planeta
Lagrima extinta na fonte e nos olhos
Oficina natural de artificios
Asas a imaginacao dos homens
Berco unico de renovacao
Colo forte e gracioso

Ela tem seus amores pra la
Mas todo anjo tem um desejo

Projetil simples
Impermeavel
Articulada
Despojada

Pata que pisa e floresce ao redor
Na ausencia resceca o capim
Vagao de palavras
Completa tua pagina
Licor de jasmim
Crencas, povos e sotaques
Criticas escritas aa destra
Testemunhos elaborados
Fascinio por tua palestra









Saturday, 6 November 2010

Tranca-afiada


Tudo que vai vem da raiz
Na consciencia encravada que o pe de cabra entorta
Quebrando as quinas
Espanando porcas
Empenando eixos
E arrombando portas

O olho imovel observa
O rapido rabisco
O rapido borrando a imagem
Folhas secas voam
Num mosaico miragem

Coracao de pedra
Halito frio
Clonagem do cio
Inventei que vivo

Virgem contato
Lembrancas em bruma
Salgada e sem cor
Lagrimas de um relato

Caindo de costas
Container de pluma
Perdao a si mesmo
Nem tudo se arruma

Passei por nos dois
Chorei so de rir
Soltei sete pedras
Quando me disse que podia ir

Fui ao fundo asfixiado
Sem verbo, palavras ou ditado

Mas onde ha luz
Sigo guerreiro o Jesus
Que em mim tatua paz
So de olhar e nem forca faz.



Sunday, 12 September 2010

Realeza


Faco de conta que nem olho
Nem quero saber
Busco em mim mesma o que ninguem conseguiu ainda achar
E somente ele, arranca o veu do meu corpo tentando esconder
Que nao fora sua sublime intencao
Que passasse a foice na raiz de minha intriga
Que formasse palavras pelo intelecto sutil do apenas olhar
E as deixassem germinar pela boca
E que eu pudesse pelo menos tentar decifrar
Qual fosse o idioma

De trazer-me de volta ao mundo
Estourando a bolha onde me escondo
Apos eternos e incontaveis segundos
Defini assim meu medo aos poucos
Descobria menos e cada vez menos
Pensativa e perdida as sombras das duvidas
Nascia o que nos ligava

O desconhecido nos atrai por fontes inesperadas
E os olhos desse caro cavalheiro eh a unica fonte
Onde miro minha ultima moeda a um arremeco certeiro
Pra que meus desejos se tornem realidade

Thursday, 9 September 2010

Sobre-saindo


Sinto o amor e ao mesmo tempo o odio aos olhos de quem me olha
No rosto de quem nao me conhece
Na pele de quem perto de mim se fere
Onde ha amor, aflora
Correntes eletricas tocaveis soltas no ar
Bem vindas, pra queimar vivas borboletas dentro de si
Se eu pego de rabo de olho o teu rosto
Veneno masculino na meia idade transgride pudores
Destrocos vitais reconstroi pouco a pouco
Natural e certeira a vida se desencrava
Do leite materno aos ingenuos
Aaos politicos inescrupulosos

Do seio contra a volupia em meio a dor
Aa boca na barra da saia dela desprovida
E depravada pra arrancar o leite das pedras

Carne da boca prencada entre os dentes
Na falta de tu, nao tem VAI se nao te agrada
De pulso pra cima polegar pressiona o pai de todos
Que tremulo nao se contem em atirar na agua
Esse cigarro tolo que me empreteja os dentes
E que me encarde a alma...
E as respostas do tempo continuam vindo
E esmurrando a porta da frente
Elas simplesmente chegam
do nada

Remedio


Como se fosse ideias num copo d`agua
Crosta acentada no fundo diluindo sua propria versao
Purificada por minerais numa lentidao... imovel, quase inerte
Misture selvagemente essa agua, que entao escorre pelas bordas
Espumando e explodindo em particulas que se reconciliam
A pares compativeis
Ao topo do copo correntes de ideias inusitadissimas, raizes...
Santo remedio ao desiludido, deslocado e dissoluto


Thursday, 8 July 2010

Eleito direto




Desde que a palavra protesto

Caiu em esquecimento

O povo triste com o olhar desamparado

Vive de lamento

Sem rancôr e de olho fundo

Envelhece calado ao mundo

Na boca as palavras que minam

Os carros que passam buzinam

Banquim de calçada

Buzina de Vespa

Carroça passando

Ainda bem que hoje e sexta

A cidade se move

Enquanto o voto promove

Votos a quem se conhece

Destino sem URNA

E o povo é quem padece

Já sei que é você

Pra quê o suspense ?

Bilhete na mão sem valor

Desculpe! Não sabia que era só “Doutor”

Agora o povo anda estérico

Por um cargo ao Sr. Meretíssimo

Que lhe foi dado

Sem Mérito

Society moderna

Chacina na esquina

Não vendo ou assino

Nem aqui nem na China

Assassino esse voto

Em controle remoto

Destruo o bilhete

Em frente seu gabinete

Já sei, tire as mãos de mim!

Cueca, chinelo e sabonete

Dê adeus a imunidade

Agora somos nós que ditamos

A verdade

Quem disse que pimenta

Nos olhos dos outros não ardia

Vizinhos de Cela…

Se suas leis funcionarem

Quem sabe algum dia?!

Thursday, 22 April 2010

Garibalda

Olhar intrigante...
Mas talvez um dos mais lindos e umidos olhos por lagrimas
Que se enchugam que nem voce mesma sabe a razao
Eu tento decifrar algumas dessas faces que eles te dao
Mas o vapor e o perfume do teu enigma me cegam
E me empurram dessa corda bamba que foi lancada
Como um grafico somente por tua ilusao.


Thursday, 15 April 2010

Crueza de mim


Cara de mais velha

Expressões de velha?

Não,

Já faz parte.

Já faço parte? Não sinto.

Performance na dança do tempo

Atributo consequente de sua experiência

Responsável à sua maneira

Tudo e todos à sua volta se encarregam

De se responsabilizar e que as coisas

Se cuidem naturalmente e entre sí

Pois preocupações dentro de mim

Jamais um dia habitara

Espirituosa levo o meu termo

Livre e poderosa

E alguns que me vêem

Pelo lado de fora

Jogam pedra

Mas nao me apavora

Decido atitudes

Destino à deriva

Sorriso amargo

Mas sempre acertiva

Piso e me corto

Nos cacos de mim

E grito calada

Afastando de vez

Aqueles que um dia

Alegria me deram

Nem bato na porta

Nem quero

Fingir nao faz parte da trama

O que eu queria era somente

A compahia e uma cama

As coisas por aqui

Andam sem nexo

Não aguento nem mais sexo

Preciso me recompôr

Meus olhos merejam furor

Agora finjo que não sinto dor

Os dias vão passando

E isso aqui se torna um horror

Deixe-me ir embora por favor

A pouco até perdi a cor

Posso ir ou terei

Que me transformar em vapor?


Saturday, 3 April 2010

Ofença


O cara fala o que quer, mas de mim não vai ouvir.

A essa altura, auto-críticas bem elaboradas são toleráveis e talvez

Educadamente discutidas.

A diminuta direta se anula dissolvendo-se no olhar

Vago e interrogativo daquele que se quer teve o entusiasmo

De trazer a atmosfera um clima menos insuportável.

Portanto com a sua licença…

Wednesday, 31 March 2010

Generosidade governamental!


A ganância na política já é vício

A má atitude excessiva em pessoa

Desejo da mente intelectual que se acha única

Profunda dedicação ao ilícito

Ao aceno sorridente à multidão

Sucesso financeiro absoluto

Atos virtuosos

Que não aumentam

Nem caem dependendo da ação do mercado

Agora ele, novíssimo investidor...

Precisa entender que o Povo

Já questiona tal recompensa

Por tais grandiosos serviços

Isso nos leva com um punhal a boca

Ao coração da discórdia em busca

De explicações ainda em vão

O Povo e essa política aleijada

Andam em direções contrárias

Tropeçando uns nos outros

Sem desculparem-se.

Duas crianças com problemas

Neuro-motor à capacidade

De comunicação, mas à prática da corrupção.

Corromper, manipular, enganar...

A sua maior aptidão.

Pode-se chegar ao extremo da avareza

Tirando a vida de seu desafeto

A fim de o topo alcançar com destreza

O selvagem capitalismo, o seu único dialeto.

Posso então querer ser o átomo da paz

Que junto a outro se una cada vez mais

E na vitória às adversidades

Trocar pela generosidade...

E a inteligência nos faz escolher com sabedoria

Aqueles que nos representa com maestria.

Portanto, a falta de informação da maioria da população

Deixam à vontade, as lideranças de todas as instâncias

E o povo, perplexo, atônito, incrédulo, SEM AÇÃO!


Me falta o chao


O meu Deus ainda hoje se pega com o olhar

De quem monta um quebra-cabeças faltando pedaços

Com um dedo no queixo tentando lembrar o que fizera

Daqueles papéis que contiam anotações sobre os talentos

Que à mim eram endereçados

Mas a relação do mundo com o orgânico dentro de mim

Fez com que essa reciprocidade tornasse mais claro e certamente

Sem garantias de sucesso professional.

Friday, 26 March 2010

Brasilia 50



Brasília

( Adriano Carrijo)


Teatro cortina aberta de palco


Onde reverente o Sol se apresenta


Espero pra vê-lo sair


Sussurra ao vento que ostenta


O mito das pedras dalí



Reflete a magia em seus rios


Espelhos e desafios


Um feixe nas folhas do Ipê


Cerrado que me fez crescer



Arquitetura vale bastante


Orgulho estampado


Por Niemeyer em meu semblante


Não dispenso a identidade


Que introduzimos a essa cidade


Massacrada e difamada por politicagem



Miscigenação multicultural


Rapadura, baião e mingau


Corações presos por amor


De quem mora e quem já morou


Da saudade que quer matar


E não param de pensar um segundo sequer

Em voltar.


Sunday, 21 March 2010

Ao cerrado


Aquele poeta tentou formar-se em letras

Que usava intensamente as letras

Que abusavam do poeta

Que o deixavam sem dormir

Que exigiam minuciosas

Em troca de uma bolha

Que segundo as letras se tornariam

Em palavras

E crescendo mais um pouco virariam dialetos

Se alastrando venenosa tornariam-se idiomas

Esticando-se a vontade mais o avesso da pronύncia

O Poeta hoje tem a doçura dos costumes

Que formara sua cultura

E diferem tantos laços

Dos Países e outros sábios

De costumes e embaraços

Bolha essa de ilusão

Construída por ele em cursiva à mao

Caracterizou certamente a nação

E traz de volta ao coração

O que a distância

Espalhou no chão

Divido essa distância contigo

Preparo arranjos de trigo

À mesa se sentam os amigos

Surpresas virão eu te digo

Não perco a vontade jamais

Isso eu jurei por demais

Que um dia essa Bolha de sais

Ácido ou minerais

De dentro de sí sairia

Na esperada partida do cais

Poeta agora se salva

A sí próprio e tua alma

Mendigo de sua raíz

Escreve agora com giz

Foi isso que eu sempre quis

De volta ao cerrado querido

Agora como marido

Escrevo e ressalto

Em negrito ou colorido

O que eu no fundo sabia

Que dessa água eu beberia

E pro mundo real voltaria.